janeiro 11, 2010

Just do it

Don’t smoke

Don’t forget the lights on

Don’t eat junkie food

Don’t sleep late

Lock the tetra key too

take care of yourself on the streets

make money and  follow your dreams

dezembro 23, 2009

Discutindo a relação

A – Ai, tenho tanto medo de sofrer por estar com você. Tenho medo porque já sofri antes e sei como é. Acho melhor nós irmos com calma. Eu gosto muito de você e é por isso que sinto insegurança. Tenho receio de que daqui a uns cinco anos você talvez precise morar longe, eu não consigo conviver com essa idéia. Anteontem senti um mal-estar por achar que talvez você pudesse se tornar rico ou famoso, não que eu não queira isso, mas acho que para nós seria o fim. Sei lá, amanhã ou depois você pode ir embora, não sabemos onde estaremos nos próximos anos, um de nós pode acabar morrendo de repente, um dia, não sei, entende?

B – Entendo. Vamos parar, assim você sofre com a separação e de quebra ainda pode continuar sofrendo por estar só.

dezembro 17, 2009

Bem aventurados pés de pinus

Comecei hoje a organizar meus papéis. Estou pasmo. Acho mais fácil lavar as louças do que arrumar papéis. É que preciso colocá-los em pastas, transcrevê-los para seus devidos lugares ou simplesmente descartá-los.

Graças à minha mãe, adquiri o saudável hábito de jogar fora coisas inúteis, como muitos dos papéis que guardei durante o ano. Neles estão os registros de minhas preocupações como “coisas a fazer hoje” ou “coisas a fazer essa semana”, além de um incontável número de idéias aleatórias que eu sonho um dia poder organizar. Há papéis que revelam que comprei pães e caixas de leite; aliás, as listas de mercado muito freqüentemente se mesclam às de tarefas da semana.

Uma acumulação de papéis de tamanhos variados, desde folhas sulfite recheadas de coisas dispersas até papéis minúsculos, com pequenos lembretes, anotações infinitesimais de filmes – enfim, uma profusão de curiosidades a esmo e coisas feitas. Quando eu finalmente sento para processar tudo isso, aos poucos vou sendo tomado pela sensação de que sou um carrasco matador de lembranças. É que por mais que hajam coisas realmente sem sentido nesses papéis, eles trazem até as marcas das xícaras de café que tomei. Vejo que em muitos deles estão rabiscados números de telefone – pessoas que conheci, pessoas com que sai, até as que passaram a ser importantes para mim; e por fim, as que me esqueceram. Encontrei um papel com o nome de alguém que se insinuou, outro com o nome de uma música que eu ouvi na rua e gostei muito. Tenho trechos que parecem ser diários com coisas interessantes ou engraçadas que aconteceram.

Quando eu jogar eles fora, as lembranças ficarão apenas na minha memória, onde o risco delas se fragmentarem é imenso já que nós guardaremos apenas as lembranças mais marcantes – Trechinhos felizes de um ano de vida que se esvaem.

Tenho o cuidado de incinerar os papéis que me parecem comprometedores, rabisco-os copiosamente quando são muito secretos, ateio-lhes fogo, rasgo-os em pedaços pequenos e depois misturo-os ao lixo orgânico – o que é segredo, continua segredo. Eu sei que ninguém vai revirar meu lixo para saber a meu respeito, mas me sinto desconfortável com a possibilidade de que alguém saiba de minhas confidências, que nesse caso, serão tomadas como as de um estranho. Talvez este seja um sinal de ultra-individualismo fóbico, que eu já não tenho meios de conter. De qualquer modo, eu queria que eles continuassem comigo, pra me lembrar das mais ínfimas sensações que se apoderaram de mim nos momentos em que foram confeccionados.

Mas eles serão organizados e os outros eliminados, para dar espaço apenas para as emoções mais fortes que eu mesmo, sem fazer consulta, possa contar.

dezembro 3, 2009

Estágio!

Após sair da primeira sala, caminhamos pelo corredor ao lado da professora que nos fala sobre as dificuldades para se dar uma aula e que aquela turma era um pouco complicada, mas que nós, estagiários, poderíamos dar aulas e captar melhor a atenção.

Logo entramos na outra sala, ela faz a chamada e então diz: -A prova de recuperação! Eduardo, Tiago… O aluno levanta e pega a prova. Ela continua chamando. Comenta alguma coisa sobre os estagiários “esses dois estagiários lindos, maravilhosos…”.

Nós nos levantamos e damos uma palavra com os alunos em meio a gritos e interjeições irônicas… Mais alguns minutos e ela recomeça a falar, os alunos continuam conversando entre si. Maria fala sobre a substituta que virá em breve, provocando uma agitação entre os meninos, até que um deles pergunta:

- E que idade ela tem? Maria ri do comentário, diz que a substituta é muito competente e inicia sua aula:

- Os nativos não devem ser estudados através das fronteiras, mas a partir de 4 áreas culturais, andina, floresta tropical… E os grupos do Paraná?

De forma surpreendente o barulho vai diminuindo progressivamente. Enquanto a professora fala sobre os nômades, propriedade privada… Vejo alguns alunos próximos a ela tentando adivinhar ou palpitar sobre o que está sendo falado. Outros olham para o caderno, roem unhas, mas muitos tentam prestar atenção. Alguns grupinhos próximos às paredes e ao fundo cochicham continuamente.

Trata-se de uma turma mais receptiva e a professora termina mais rapidamente o conteúdo para aquela aula. Ela passa aos alunos uma atividade para ser feita no caderno e passa a comentar conosco a respeito do material didático. Segundo ela há conteúdos, como o de Paraná, que ainda não possui um material didático elaborado sendo necessário que ela pesquise e traga para a sala de aula o necessário para o ensino. Conversamos durante algum tempo sobre temas relacionados à aula.

É interessante observar que, apesar de todas as bens conhecidas dificuldades do dia-a-dia da escola, há um sentimento unânime de entusiasmo com o desenvolvimento dos alunos. Existe por trás das relatadas dificuldades um carinho implícito pelo ensino, uma motivação inexplicável que eu diria que não há em muitas profissões. A vivência na escola é como a vida, cheia de problemas – mas prazerosa.

novembro 27, 2009

Caixa preta entre os destroços

Objetos espalhados pelo chão. Minha casa parecia a faixa de Gaza. Meu rosto estava brilhante devido ao calor. Gotas de suor desciam da minha cabeça e escorriam pelo rosto. Eu estava sentado, com o olhar cansado olhando para o meu redor e pensando.

Havia copos, xícaras e pratos em diversos pontos da casa. Papéis importantes, apenas interessantes ou completamente inúteis para todo lado. Além é claro dos que eram lixo e estavam no chão. Objetos de todos os tipos espalhados, roupas sujas, moscas.

Vi aquilo tudo e senti que a bagunça refletia meu estado de espírito, afinal todos os meus planos, um a um, haviam falhado. Algum tempo atrás todos fluíam a contento e eu me reconfortava com a idéia de que pelo menos um deles iria dar certo. Mas não.

Restaram as alternativas convencionais. As de sempre. As seminovas, similares, recauchutadas – de qualquer forma, não são de primeira mão, todas elas. Mas eu não nasci para o proletariado. E eis que o telefone toca. Sempre tenho cartas na manga. Já voltei a sonhar.

novembro 20, 2009

Odisséia Paranaense – Parte final

- Por que meu banco é lá na boca do banheiro? Eu PEDI pra que não fosse do lado do banheiro, será que não entenderam? E esse ônibus é uma porcaria, o outro que eu peguei quando vim pra cá dava um pau nesse daqui. Eu quero saber o que vocês vão fazer pra resolver isso agora, tá?

O motorista, calmamente a convidou para resolver a pendência do lado de fora do veículo.

Alguns minutos se passaram, eles discutiam lá fora enquanto dentro as pessoas cochichavam e riam, num burburinho que me deixou contente. Afinal de contas, depois de tantos percalços eu estava ali, sentado, vendo toda aquela gente com ares paulistanos (com exceção da vovó sacana).

A pig reclamante voltou então e se sentou em outro lugar, num silêncio que me fez pensar que ela deve tomado uma surra lá fora.

Me senti na metrópole a partir daquele momento, com ambição e medo, de forma que a ambição era ainda maior que o temor das balas perdidas que rolam onde estávamos indo.

E assim, pegando a estrada, as luzes do interior se apagaram e a luz das estrelas passou a competir com a do farol dos carros que passavam do lado.

Eu demorei um pouco a dormir, pois era cedo ainda e fiquei então pensando, sobre diversas coisas, afinal acho este um ótimo passatempo quando se faz solitárias viagens, de ônibus, trem ou avião. Fiquei ali, viajando na maionese.

Antes de desabar em sono, lembro de ter visto no trajeto uma festa com muita gente aglomerada por quilômetros e que inexplicavelmente me causou um calafrio – aí eu dormi, muito.

De madrugada, a única parada que fizemos me satisfez com um suco de frutas e com paixões instantâneas, por pessoas que eu nunca mais veria. É que eu sempre tenho paixões de três minutos, a pessoa ideal aos meus olhos me vê e depois desaparece entre os outros 8 bilhões de habitantes.

Pela manhã fui até o motorista – eu precisava parar na Castelo Branco, bem antes de chegar à Barra Funda. Eu sabia muito bem onde eu deveria chegar e poderia ir a pé se quisesse. Mas eu temia que o motorista se recusasse a parar numa das mais movimentadas rodovias do país. Pensei em dar a ele algum dinheiro, mas eu só tinha uma nota de vinte reais (vide Vanessão), o que seria um ultraje.

Fui até a cabine e olhei com ar choroso para ele.

- Eu preciso descer no quilômetro 26, mas não tenho idéia de onde é esse lugar, é antes de São Paulo?

Ele pensou um pouco. Tensão.

Aí falou que parava lá sem problemas. Dessa forma desci, com a cara amassada e sorridente na entrada da grande metrópole, nas portas de uma imensidão de coisas. Respirei o ar úmido e vi carros passando, me sentindo em casa.

Lá estava eu, pra grande virada que me aguardava.  O que viria depois, bem, isso fica pra depois…

novembro 18, 2009

Odisséia Paranaense – Parte II

Aquele carro saiu em disparada, ultrapassando todos os outros carros no caminho, virando onde não podia e acelerando cada vez mais. No banco de trás eu procurava fazer expressões de desespero para comover o taxista.

Naturalmente, todos os semáforos estavam fechados… Cada minuto mais próximo das 22:30 me deixava mais tenso. Quando notei, esta hora já tinha chegado, ou seja, o ônibus estaria saindo e estávamos no trânsito ainda. Ele não vinha de outra cidade, não teria motivos para se atrasar e eu já tinha me lascado.

Decidi tentar trocar a passagem e viajar no dia seguinte, arruinando todos os meus planos.

Quando o táxi encostou na rodoviária pulei fora entregando o dinheiro e fui saindo, com alguma esperança de ainda ver o ônibus. Enquanto caminhava disse ao taxista que ele podia ficar com o troco. Saí fuçando os bolsos e não conseguia achar minha passagem.

Olhei pro lado de fora da plataforma e o ônibus estava lá! Sim, estava no lugar, porém com todos os passageiros embarcados e os porta-malas fechados. Entreguei a passagem pro carinha que fica lá as destacando e já fui entrando.

No entanto, ele teve a audácia de perguntar minha idade. Respondi sumariamente que tinha 20 anos. Ele virou as costas dizendo que faltava preencher sei lá o que na passagem, para minha alegria.

Ele tava era desconfiado que eu estava mentindo – enquanto o ônibus já funcionava o motor. Ao invés de tentar resolver meu problema ele começou a bater boca com dois caras bêbados que estavam sendo impedidos de embarcar.

O clima tava esquentando e a multidão de parentes se aglomerava para ver o bate-boca. Lembro-me do carinha retrucar o passageiro briguento com um “o problema é do senhor” – uma forma eufêmica de “foda-se”. Me intrometi na discussão como quem não sabe o que está acontecendo, “e aí ?”, fui meio ríspido e ele deixou eu embarcar sem mais cerimônia.

Enfim, eu estava lá dentro daquele ônibus lotado, pronto para sair. Fui até o meu banco e lá estava ela, a famigerada vovó esperta que rouba assentos alheios. Eu ia expulsar ela, é vovó, é bonitinha, mas desrespeita regras. Pensando melhor não ia pegar bem um rapaz expulsar do assento uma senhora que colonizou o norte paranaense.

Numa tentativa de dosá-la de cimancol, perguntei se ela gostava de viajar na janela (o meu lugar). Ela respondeu secamente que sim. Achei que poderia tomar meu lugar assim que ela saísse do ônibus e perguntei então se ela ia até São Paulo (o destino final). Ela respondeu novamente que sim, sem pensar muito. Eu sorri olhando para ela enquanto pensava: velha cretina.

O motorista entrou no ônibus e começou a recitar aquele texto manjado que deve ser mais ou menos assim:

-         Boa noite eu sou o motorista Cleosmar e vou acompanhá-los até Londrina onde o motorista Osmir vai seguir com vocês até São Paulo. Nas janelas existem saídas de emergência, no fundo do carro há um banheiro e água gelada, para objetos de valor nós possuímos nosso compartimento de segurança, a Garcia deseja a todos uma boa viagem. Alguma pergunta?

Nessa hora uma mulher meio deformada, parecida com a pig dos muppets, se manifestou. Ela vestia roupas escuras e estava com a maquiagem borrada. Esteve escorada no banco o tempo todo e quando o motorista terminou de falar ela já estava com o dedo levantado e disse “eu tenho uma pergunta”:

continua

novembro 16, 2009

Odisséia Paranaense – Parte I

Na sexta feira, depois de algumas cervejas eu dormi. Pela manhã tive a sensação que dormia como se sonhasse estar acordado, de fato, acordei como se sonhasse que dormia. E estava muito cedo! Ótimo, levantei e já comecei a arrumar minhas malas, coloquei um som torando enquanto ajeitava tudo.

Esse era o dia em que eu ia pra São Paulo, correr atrás de meus planos mirabolantes, jogar numa loteria feroz. Fazia mais de uma semana que eu estava planejando esta viagem, fui deixando tudo agilizado pra não haver contratempos.

Liguei então pra um amigo pra ele ir comer no RU com a gente, como já era combinado, pois ia rolar uma feijoada – que pelo sabor, só pode ser de outro lugar, menos do RU. Antes de ir para lá fui pagar umas contas e comprar uns calmantes.

No fino restaurante, encontrei meus amigos. Eles tinham uma sacola, com alguma coisa dentro que eu não sabia o que era. Depois que entramos e sentamos eis a revelação: não só havia guardanapos, mas também uma travessa de alface americana, para meu deleite. Saí em transe de tanta comida e tantas risadas.

Subi pro inglês e me ocupei quase a tarde toda com os quizes, tive um sossego no final pois eu e a teacher ficamos trocando poemas no lab. Eu estava muito animado com a viagem que ia fazer a noite, pois significava uma oportunidade de ouro pra meus planos de vida colossais.DSC01504

A hora H se aproximava cada vez mais. Subi e fui terminando de arrumar minhas malas, com toda paciência que me foi possível. Tudo estava dentro dos conformes. Já era quase dez horas quando fui ligar pro táxi.

Bem nessa hora, minha mãe me ligou. Falei rapidamente com ela, que estava tão ansiosa quanto eu. Falei que ia desligar, pois precisava chamar o táxi. Liguei para um, finalmente, mas ele não poderia vir, pois tinha que levar três pessoas numa festa na chácara… Circe ou Mirna, sei lá.

Fui ligar então pra outro táxi . Meu pai me ligou bem na hora. Fui conciso, estava começando a ficar preocupado o horário! Como eu já tinha falado com a família toda, liguei para outro táxi. E eu já estava em cima da hora. A educada atendente disse que não poderia mandar o táxi em cinco minutos. Insisti com ela, explicando que eu já estava atrasado. Com algum esforço ela me prometeu que ele chegaria em até dez minutos – eu não tinha outra opção.

Desci e fiquei na portaria esperando. Cinco minutos e nada. Dez minutos, senti um calafrio, pois já perdi ônibus uma vez e foi terrível. Liguei para o tal táxi e a atendente disse que ele já devia ter chegado. Isso me assustou, será que o taxista tinha se perdido ou o carro tinha quebrado? Tentei me acalmar, o que ficava cada vez mais difícil. Esperei mais três minutos. Liguei devolta, mas a moça insistia em querer me acalmar enquanto eu via a iminência de não conseguir viajar! Faltava só 10 minutos pro ônibus sair.

De repente surgiu um táxi. Nem perguntei nada, fui entrando e disse:

-         PRA RODOVIÁRIA, SENTA O PÉ!

continua

novembro 12, 2009

CALOR!

Estamos agora vivendo

o tormento que é o verão

Quiçá venha a tormenta

e haja entre eles a química

e que a mistura me envolva

pois já cansei de ficar são

novembro 12, 2009

Moço, canta baixo aí!

To com um costume terrível. Não consigo ouvir uma música sem catar junto. Claro, eu não sei cantar, nunca soube e causo sofrimento pra quem está ao redor. O que me motivou a escrever isso foi o fato de eu estar cantando Depeche Mode mais de meia noite e ser repreendido pela vizinhança. Na verdade, achei super cedo pra causar tanto desgosto assim, eu normalmente canto e lavo roupa de madrugada.

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Uma coisa eu devo admitir: não sei falar baixo. Não é gritar, é falar alto mesmo, se tento sussurrar sou ouvido pelo quarteirão. De qualquer modo, resolvi ir até a janela pra tentar identificar a reclamante. Olhei ao redor e vi uma janela se mexendo e então disse “mas é tão cedo moça!” com uma entonação irônica, já que ela não poderia fazer nada mesmo. Aí ela repetiu “já é meia-noite!”, mas ficou constrangida com meu olhar doce em trajes de banho. Fui obrigado a rir.