Estágio!

Após sair da primeira sala, caminhamos pelo corredor ao lado da professora que nos fala sobre as dificuldades para se dar uma aula e que aquela turma era um pouco complicada, mas que nós, estagiários, poderíamos dar aulas e captar melhor a atenção.

Logo entramos na outra sala, ela faz a chamada e então diz: -A prova de recuperação! Eduardo, Tiago… O aluno levanta e pega a prova. Ela continua chamando. Comenta alguma coisa sobre os estagiários “esses dois estagiários lindos, maravilhosos…”.

Nós nos levantamos e damos uma palavra com os alunos em meio a gritos e interjeições irônicas… Mais alguns minutos e ela recomeça a falar, os alunos continuam conversando entre si. Maria fala sobre a substituta que virá em breve, provocando uma agitação entre os meninos, até que um deles pergunta:

– E que idade ela tem? Maria ri do comentário, diz que a substituta é muito competente e inicia sua aula:

– Os nativos não devem ser estudados através das fronteiras, mas a partir de 4 áreas culturais, andina, floresta tropical… E os grupos do Paraná?

De forma surpreendente o barulho vai diminuindo progressivamente. Enquanto a professora fala sobre os nômades, propriedade privada… Vejo alguns alunos próximos a ela tentando adivinhar ou palpitar sobre o que está sendo falado. Outros olham para o caderno, roem unhas, mas muitos tentam prestar atenção. Alguns grupinhos próximos às paredes e ao fundo cochicham continuamente.

Trata-se de uma turma mais receptiva e a professora termina mais rapidamente o conteúdo para aquela aula. Ela passa aos alunos uma atividade para ser feita no caderno e passa a comentar conosco a respeito do material didático. Segundo ela há conteúdos, como o de Paraná, que ainda não possui um material didático elaborado sendo necessário que ela pesquise e traga para a sala de aula o necessário para o ensino. Conversamos durante algum tempo sobre temas relacionados à aula.

É interessante observar que, apesar de todas as bens conhecidas dificuldades do dia-a-dia da escola, há um sentimento unânime de entusiasmo com o desenvolvimento dos alunos. Existe por trás das relatadas dificuldades um carinho implícito pelo ensino, uma motivação inexplicável que eu diria que não há em muitas profissões. A vivência na escola é como a vida, cheia de problemas – mas prazerosa.

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1 comentário

Arquivado em crôniquinha

Uma resposta para “Estágio!

  1. Fran

    adorei a frase “A vivência na escola é como a vida, cheia de problemas – mas prazerosa.”
    é justamente isso, tem muitos problemas mesmo, que só estando dentro da sala todos os dias para saber, mas não há prazer maior que realmente ensinar e chegar ao fim do ano com o aluno tendo noção que á um ator histórico com poder para modificar a realidade

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