Rosa punk – final

A rosa se incomodou com o botão.

Depois de tanto perrengue ainda mais essa?

Levantou devagar as gavinhas

pra sacar a proto flor. Fazer isso dói,

e ela não tinha a certeza de antes,

do dia em que saiu do jardim.

De repente moça e rapaz surgiram na sala.

A rosa se aquietou disfarçada.

Puseram água esquentar pro café,

e ela magoada de ser ornamento.

O rapaz tava atrasado e catou a mochila.

A rosa aproveitou pra pular na água quente:

seria a moça incauta sua vítima.

O rapaz saiu pela porta e a fechou.

A moça gritou “rapaz!” e a rosa já soltava o veneno.

Ele voltou.

Estavam com boca de manhã e se beijaram.

Olharam nos olhos.

Disseram até mais.

“Eu te amo”, talvez.

A rosa viu tudo e murchou.

Agarrou a beirada de lata,

gavinha molinha e cor apagada,

se arrastou moribunda chaleira afora.

A moça voltou e encontrou a rosa na pia.

Sorriu: “um presente!”

O café não matou.

A moça passou o dia sorrindo.

O rapaz lembrando do beijo.

E a rosa morreu sendo planta,

não das bobinhas;

nem das brancas ou amarelas;

mas sempre e sempre denovo

uma rosa.

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