Arquivo da tag: amor

O moleiro de trigo

A brisk young lass so brisk and gay

She went unto the mill one day

There’s a peck of corn all for to grind

I can but stay a little time

Come sit you down my sweet pretty dear

I cannot grind your corn I fear

My stones is high my water is low

I cannot grind for the mill won’t go

Then she sat down all on a sack

They talked of this they talked of that

They talked of love, of love proved kind

She soon found out the mill would grind

Anúncios

Deixe um comentário

Arquivado em Uncategorized

Pano caído

Deixe um comentário

Arquivado em Uncategorized

Rosa punk – final

A rosa se incomodou com o botão.

Depois de tanto perrengue ainda mais essa?

Levantou devagar as gavinhas

pra sacar a proto flor. Fazer isso dói,

e ela não tinha a certeza de antes,

do dia em que saiu do jardim.

De repente moça e rapaz surgiram na sala.

A rosa se aquietou disfarçada.

Puseram água esquentar pro café,

e ela magoada de ser ornamento.

O rapaz tava atrasado e catou a mochila.

A rosa aproveitou pra pular na água quente:

seria a moça incauta sua vítima.

O rapaz saiu pela porta e a fechou.

A moça gritou “rapaz!” e a rosa já soltava o veneno.

Ele voltou.

Estavam com boca de manhã e se beijaram.

Olharam nos olhos.

Disseram até mais.

“Eu te amo”, talvez.

A rosa viu tudo e murchou.

Agarrou a beirada de lata,

gavinha molinha e cor apagada,

se arrastou moribunda chaleira afora.

A moça voltou e encontrou a rosa na pia.

Sorriu: “um presente!”

O café não matou.

A moça passou o dia sorrindo.

O rapaz lembrando do beijo.

E a rosa morreu sendo planta,

não das bobinhas;

nem das brancas ou amarelas;

mas sempre e sempre denovo

uma rosa.

Deixe um comentário

Arquivado em conto

Rosa punk – parte III

A rosa acordou entre as coroas de cristo.

Elas falavam mal de todo mundo que passava.

Como ela sairia dali pra matar alguém?

O moço que seguiu a rosa ontem sempre passava ali a trabalho.

Ele viu a rosa e a reconheceu na hora. Céus! Ele reconheceu pelos galhos –

não havia mais botão. Arrancou-a e foi pra casa.

Agora ela não podia matá-lo. Foi posta n’água e se fingiu de planta boba.

Todo mundo dormiu. De manhã a rosa se sentiu estranha:

era outro botão começando a nascer!

Deixe um comentário

Arquivado em Uncategorized

Rosa punk – parte II

A rosa sem botão saiu correndo pela rua, sem saber

como chegar na cidade.

Viu uma camionete de entregas e pulo na carroceria.

Um cara veio, deu partida e saiu. A rosa se levantou e viu o jardim

ficando pra trás. Sentiu o vento assoviar nos espinhos.

O carro parou no semáforo da avenida principal.

A rosa pulou e saiu correndo, um moleque tentou catar ela

e os passantes ficaram boquiabertos.

“Rosas são bonitas que se ganha de quem se ama” – besteira.

Um rapaz saiu disparado atrás da rosa. Ela pulou

nas coroas de cristo para se esconder.

Já era noite, estava cansada e dormiu ali.

Quando amanheceu, suas raízes tinham brotado

e ela estava plantada com as ervas bobinhas de um canteiro!

Deixe um comentário

Arquivado em conto

Rosa punk

Teve uma hora

em que a rosa cansou de ser rosa e cansou de ser planta.

Aí ela se arrancou do chão; caiu; se levantou

e saiu correndo pelo jardim.

A rosa pulou o portão e atravessou a rua em direção a um matagal cheio de picões.

Esses caras não iam muito com a cara dela, mas acharam mó atitude aquela rosa estar andando.

No fundo, eles também já tinham sido dentes-de-leão.

A rosa começou a inflamar os picões para ir embora dali,

ela queria virar chá na panela de alguém e matar quem a bebesse.

Mas os picões se recusaram a ir com ela.

A rosa se revoltou e arrancou seu botão quase em flor

e assim desistiu de presentear os amantes.

Levantou sobre suas raízes e foi embora pra cidade,

pra crescer e virar erva-daninha.

Deixe um comentário

Arquivado em conto

Shakespeare!

De almas sinceras a união sincera
Nada há que impeça: amor não é amor
Se quando encontra obstáculos se altera,
Ou se vacila ao mínimo temor.
Amor é um marco eterno, dominante,
Que encara a tempestade com bravura;
É astro que norteia a vela errante,
Cujo valor se ignora, lá na altura.
Amor não teme o tempo, muito embora
Seu alfange não poupe a mocidade;
Amor não se transforma de hora em hora,
Antes se afirma para a eternidade.
Se isso é falso, e que é falso alguém provou,
Eu não sou poeta, e ninguém nunca amou.

William Shakespeare

Deixe um comentário

Arquivado em poemas