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Anti-trama da paixão

Num surto de alegria, cortei a minha alma: enfiei uma faca na minha carne.

Vi meu sangue escorrendo e dei gargalhadas. Sai correndo pela casa, pus fogo nos móveis e dancei entre as chamas.

Tentei apagar o fogo, abrindo todas as torneiras da casa – em meio a uma felicidade ensandecida. Me joguei na piscina que se formava e vi meu sangue se diluir na água. Enquanto as faíscas reluziam, pingos caíram na cabeça do vizinho, que veio reclamar com o satã nos olhos. Dei-lhe um tapa e um abraço.

A fumaça chamou a atenção da vizinhança toda. Meus amigos também estavam por lá. Eles riram. Tomei um gole da sua bebida. Despejei-a sobre minha ferida e ardeu.

Já era noite estavamos exaustos de tanta festa, caimos no gramado. E assim eu dormi no meio dos gafanhotos, com um edredon cheirando a amaciante, sangrando, com um sorriso besta na cara. Isto é amar.

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