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Rosa punk – parte II

A rosa sem botão saiu correndo pela rua, sem saber

como chegar na cidade.

Viu uma camionete de entregas e pulo na carroceria.

Um cara veio, deu partida e saiu. A rosa se levantou e viu o jardim

ficando pra trás. Sentiu o vento assoviar nos espinhos.

O carro parou no semáforo da avenida principal.

A rosa pulou e saiu correndo, um moleque tentou catar ela

e os passantes ficaram boquiabertos.

“Rosas são bonitas que se ganha de quem se ama” – besteira.

Um rapaz saiu disparado atrás da rosa. Ela pulou

nas coroas de cristo para se esconder.

Já era noite, estava cansada e dormiu ali.

Quando amanheceu, suas raízes tinham brotado

e ela estava plantada com as ervas bobinhas de um canteiro!

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Na minha horta

Tá chovendo

o trigo tá crescendo

Safra recorde esse ano

o insumo eu tô estocando

pra plantar denovo

e expandir o latifúndio

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Análise Financeira

Depois de um curto, porém intenso período de recessão

os indicadores econômicos voltam a subir;

A alta vem acompanhada de um aumento na renda,

elevação da confiança do consumidor, superávit

da balança comercial, índices animadores de investimento,

taxa de juros atraente, preços convidativos

e bom-humor generalizado

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Arquivado em poemas

Desprezo

É minha gente. Que a liberdade é relativa todo mundo sabe. Aliás, você é mais livre quando não fica pensando em liberdade e coisas do tipo; a liberdade é importante pra quem sabe o que ela significa, o que não é o caso da grande maioria.

Semana passada estava eu descendo as ruas de Maringá todo pimpão pra ir num esquentinha pro strokes cover – claro que espero assistir eles ao vivo em breve, enfim – as ruas estavam abarrotadas de gente por causa do futebol. Aglomerações felizes em torno de futebol, ok. Era umas onze e pouco e eu estava descendo a rua com meus fones de ouvido, pra não ter que ouvir alguma música sertaneja de fundo. Como já fui roubado algumas vezes já tava todo ligado nos macetes que um cidadão deve saber pra evitar que isso aconteça de novo. Digo isso porque mesmo com a aglomeração, nunca se sabe né.

Continuei andando e ouvindo um Zeitgeist. Vi umas pessoas, que apesar de não aparentarem ser restos da sociedade, me assustaram por um instante. Continuei andando em meio aquela rua toda animada, olhei para o lado e…

Alguém segurava um TIJOLO na mão e articulava onomatopéias como se dissesse alguma coisa. Estavam em três. Levaram meu amado celular com foninhos de ouvido, cataram mais uns trocados da minha carteira. Sabiamente eu joguei o conteúdo da carteira no chão, assim não levaram meus documentos. Fiquei com o diabo no corpo. Se eu tivesse um 38 dava um tiro nas costas daquela catrefa. Continuei andando puto, cheguei no esquenta, esmurrei a parede e dei alguns gritos, assim eu me acalmei. Liguei pedindo o bloqueio do chip e resolvi ir no show do mesmo jeito.

Fiquei surpreso como eu pude recobrar a calma e ainda por cima me divertir. E isso tudo eu atribuo a uma razão.

Depois de pensar um pouco sobre o ocorrido percebi que aquelas pessoas que me roubaram com certeza não sabem o que é Strokes. Não sabem o que é Zeitgeist. Não sabem o que é 9a sinfonia, não sabem falar pros alguns minutos a respeito de Adam Smith, François Truffaut, Machado de Assis, David Lynch e Richard Hamilton. Provavelmente devem ter visto filmes vagabundos em suas vidas medíocres, mas não têm idéia do que seja plot-point, corte seco ou rotoscopia, pra falar das coisas que eu gosto.

Pra me salvar do estereótipo de classe média arrogante, já vou lançando a informação de que ando a pé e abomino qualquer tipo de arrogância em relação ao que se sabe ou se possui. Mas dessa vez fui obrigado a ser esnobe pra me consolar das mazelas da espécie humana.

Coitados desses restos, não são capazes de roubar o que eu sei e mesmo que pedissem para que eu lhes ensinasse alguma coisa, jamais poderiam recuperar o tempo perdido de suas vidas. Poderiam me matar, mas mesmo assim continuariam na ignorância das coisas elementares. Não que seja importante pra eles ter cultura, pois conseguem viver do mesmo jeito sem ela. A questão é que eles jamais sentirão o prazer que é a luz de saber o mínimo do mínimo. Estou ciente de que sei muito pouco de todo conhecimento que nossa sociedade produziu, mas sei também que o que aqueles meliantes sabem tende a zero. Aposto que suas mães não comeram peixe o suficiente para que seus cérebros fossem um pouco mais adaptados a compreensão das coisas. E como já estão crescidos essa coisa do peixe fica irreversível.

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