Arquivo da tag: paixão

Cemancol

Hoje eu queria escrever um poema apaixonado,

daqueles que você lê, suspira, sorri e tem vontade

de fazer uma declaração surpresa, daquelas travadas

nas quatro rodas que fazem os passantes, que não tem

nada a ver com a paçoca sentirem as atestadas reações

fisiológicas de toda essa babaquice

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Discutindo a relação

A – Ai, tenho tanto medo de sofrer por estar com você. Tenho medo porque já sofri antes e sei como é. Acho melhor nós irmos com calma. Eu gosto muito de você e é por isso que sinto insegurança. Tenho receio de que daqui a uns cinco anos você talvez precise morar longe, eu não consigo conviver com essa idéia. Anteontem senti um mal-estar por achar que talvez você pudesse se tornar rico ou famoso, não que eu não queira isso, mas acho que para nós seria o fim. Sei lá, amanhã ou depois você pode ir embora, não sabemos onde estaremos nos próximos anos, um de nós pode acabar morrendo de repente, um dia, não sei, entende?

B – Entendo. Vamos parar, assim você sofre com a separação e de quebra ainda pode continuar sofrendo por estar só.

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Odisséia Paranaense – Parte final

– Por que meu banco é lá na boca do banheiro? Eu PEDI pra que não fosse do lado do banheiro, será que não entenderam? E esse ônibus é uma porcaria, o outro que eu peguei quando vim pra cá dava um pau nesse daqui. Eu quero saber o que vocês vão fazer pra resolver isso agora, tá?

O motorista, calmamente a convidou para resolver a pendência do lado de fora do veículo.

Alguns minutos se passaram, eles discutiam lá fora enquanto dentro as pessoas cochichavam e riam, num burburinho que me deixou contente. Afinal de contas, depois de tantos percalços eu estava ali, sentado, vendo toda aquela gente com ares paulistanos (com exceção da vovó sacana).

A pig reclamante voltou então e se sentou em outro lugar, num silêncio que me fez pensar que ela deve tomado uma surra lá fora.

Me senti na metrópole a partir daquele momento, com ambição e medo, de forma que a ambição era ainda maior que o temor das balas perdidas que rolam onde estávamos indo.

E assim, pegando a estrada, as luzes do interior se apagaram e a luz das estrelas passou a competir com a do farol dos carros que passavam do lado.

Eu demorei um pouco a dormir, pois era cedo ainda e fiquei então pensando, sobre diversas coisas, afinal acho este um ótimo passatempo quando se faz solitárias viagens, de ônibus, trem ou avião. Fiquei ali, viajando na maionese.

Antes de desabar em sono, lembro de ter visto no trajeto uma festa com muita gente aglomerada por quilômetros e que inexplicavelmente me causou um calafrio – aí eu dormi, muito.

De madrugada, a única parada que fizemos me satisfez com um suco de frutas e com paixões instantâneas, por pessoas que eu nunca mais veria. É que eu sempre tenho paixões de três minutos, a pessoa ideal aos meus olhos me vê e depois desaparece entre os outros 8 bilhões de habitantes.

Pela manhã fui até o motorista – eu precisava parar na Castelo Branco, bem antes de chegar à Barra Funda. Eu sabia muito bem onde eu deveria chegar e poderia ir a pé se quisesse. Mas eu temia que o motorista se recusasse a parar numa das mais movimentadas rodovias do país. Pensei em dar a ele algum dinheiro, mas eu só tinha uma nota de vinte reais (vide Vanessão), o que seria um ultraje.

Fui até a cabine e olhei com ar choroso para ele.

– Eu preciso descer no quilômetro 26, mas não tenho idéia de onde é esse lugar, é antes de São Paulo?

Ele pensou um pouco. Tensão.

Aí falou que parava lá sem problemas. Dessa forma desci, com a cara amassada e sorridente na entrada da grande metrópole, nas portas de uma imensidão de coisas. Respirei o ar úmido e vi carros passando, me sentindo em casa.

Lá estava eu, pra grande virada que me aguardava.  O que viria depois, bem, isso fica pra depois…

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Anti-trama da paixão

Num surto de alegria, cortei a minha alma: enfiei uma faca na minha carne.

Vi meu sangue escorrendo e dei gargalhadas. Sai correndo pela casa, pus fogo nos móveis e dancei entre as chamas.

Tentei apagar o fogo, abrindo todas as torneiras da casa – em meio a uma felicidade ensandecida. Me joguei na piscina que se formava e vi meu sangue se diluir na água. Enquanto as faíscas reluziam, pingos caíram na cabeça do vizinho, que veio reclamar com o satã nos olhos. Dei-lhe um tapa e um abraço.

A fumaça chamou a atenção da vizinhança toda. Meus amigos também estavam por lá. Eles riram. Tomei um gole da sua bebida. Despejei-a sobre minha ferida e ardeu.

Já era noite estavamos exaustos de tanta festa, caimos no gramado. E assim eu dormi no meio dos gafanhotos, com um edredon cheirando a amaciante, sangrando, com um sorriso besta na cara. Isto é amar.

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